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Somos Deusas Alquimistas, é nosso dever consciencial, enquanto mulheres encarnadas neste momento de grande travessia planetária, resgatar este capítulo negligenciado da história da humanidade. 


A alquimia é um conjunto de conhecimentos sapiênciais, mitológicos e arquetípicos que vem de muito, muito tempo, lá do Antigo Egito, 5000 anos A.C., a partir de Leis reveladas por grandes avatares que deixaram sua pegada na Terra. Saberes velados e restritos àqueles que compreendiam com seus procedimentos químicos, místicos e mágicos o poder dos cinco elementos, o reconhecimento dos potenciais dos reinos da natureza e a humildade se ser um perante o todo. 

A palavra alquimia vem do grego Keme, que significa transformação, e dessa mesma maneira era designado o Antigo Egito. Alquimistas de Alexandria possuíam o entendimento dos ciclos astrológicos e fundamentavam sua atuação e legado como plenamente capazes de operar sob as Leis Universais, o pertencimento e a ecologia profunda eram inerentes ao existir humano na Terra. Esta consciência ampliada foi consequência de um viver inclusivo e equilibrado, no qual cada polaridade (feminina e masculina) assumia suas potencialidades para beneficiar a comum unidade da vida, para beneficiar a todos.


Com o sistema patriarcal estes conhecimentos foram extintos junto com suas  detentoras e detentores. O vínculo com as forças ocultas da natureza, com a magia e elementais, o conhecimento de cura das plantas e minerais, o respeito às Leis Universais se perdeu na sombria Idade Média. Existem muitos registros a respeito dos alquimistas medievais homens, que atuavam pela alquimia ecsotérica, trabalhando com os elementos químicos, metais e formas da natureza, em busca do elixir da longevidade, da criação de um homúnculo (pequeno ser à serviço do mago) e de transformar chumbo em ouro. Porém, pouco se fala sobre as mulheres alquimistas, àquelas que precisavam viver escondidas, restritas socialmente, para terem a liberdade de criar a partir da sua alquimia intuitiva e filosofal, e a partir da coragem visceral e protagonismo atuavam na transformação de mentes ignorantes em sábias. O conhecimento que era transmitido de geração em geração foi transmutado pelas barbáries das fogueiras.


Perdemos no umbral da fisicalidade um precioso tesouro ancestral. Séculos e séculos caminhamos tateando no escuro para reencontrarmos estes saberes e acessarmos novamente o fogo da criatividade e pulsão da vida na Terra. 



Estes antigos alquimistas (me refiro a mulheres e homens de sabedoria) compreendiam que existe um tempo de evolução para tudo na natureza, para que os metais evoluam, os animais, as plantas, e que também existe uma velocidade para que a humanidade evolua. 


A partir do entendimento do Princípio da Correspondência, trazido pelo mestre dos mestres Hermes Trismegisto, o objeto é uma sombra no plano concreto do que existe no plano das ideais, em outras esferas consciênciais. Tudo na terceira dimensão se projeta, por estarmos no peso da matéria, nossa perspectiva de tempo e espaço é mais densa e lenta. As experiências que vivemos agora, nada mais são do que resquícios energéticos de outras dimensões projetados na Terra para serem ressignificados, expurgados e encaminhados novamente à Fonte Criadora. 


Ao operar em um plano, a (o)alquimista pode operar em outro, porém é necessário uma ponte, um veículo que conecte a imaginação à vontade. Metaforicamente a alquimia esotérica ou intuitiva nos fala do Mercúrio Filosofal como símbolo da adaptabilidade e flexibilidade, que conduz a mensagem com assertividade, de um ponto a outro, é a energia que liga e que vincula. Características fundamentais da polaridade feminina equilibrada e saudável. 


A percepção que exponho aqui é que a atuação protagonista do Feminino é primordial para a evolução consciencial da alma humana na Terra, para que o link efetivo aconteça entre o nosso planeta em regeneração e exoconsciências que desejam nos auxiliar neste caminhar evolutivo.


O paradoxo da Deusa: a oferta para nós, mulheres do planeta, de trazermos novamente no ventre e no coração a Guerreira, a Visionária, a Curadora e a Mestra, porém com a responsabilidade eminente de não retrocedermos diante do caminho à nossa frente. Nós mulheres somos a própria ponte.




A Alquimista como conhecedora das leis universais e imersa na autoinvestigação, apropria-se dos seus conhecimentos milenares para experienciar os arquétipos da Deusa manifestados na sua personalidade, dando voz ao autoconhecimento, à perceber-se inteira nos seus ciclos de Héstia, Ártemis, Afrodite e Perséfone, ou de qual for a representação mitológica e cultural que ela eleger para sublimar seu potencial individual. 

A grande metáfora alquímica da transformação do metal mais denso no metal mais nobre, o chumbo que se torna ouro. O ouro é o metal que não perde suas características sob qualquer tipo de intervenção, se mantém fiel àquilo que é, pois atingiu sua máxima virtude.

Quando o servir é comprometido, e a disposição à transformação é real, as sombras mais densas recebem o acolhimento da luz, uma poética irreversível, já que a sabedoria adquirida não será novamente ignorância.


Como diz a expressão alquímica - dissolve a matéria na tua própria água - o  enfrentar do nosso microcosmo é a chave que viramos para a compreensão do macrocosmo. Neste movimento vertical rumo à Opus, a alquimia do conjunto de forças mais complexo é possível: o desvelar da própria consciência. 


Entendo e afirmo que o tempo chegou, uma parcela muito importante de humanos encarnados está preparada para um movimento intenso de resgate das forças ocultas, místicas, das leis universais, dos princípios herméticos, dos saberes ancestrais e da natureza. Gaia necessita que este percentual de humanos que já estão despertos, também estejam atentos às necessidades coletivas, à serviço da irmandade que independe de gênero, conectados, confiantes e seguros. Sinto e percebo o quanto muitas mulheres se mantém em uma bolha protegida pela vitimização e pela revolta ao patriarcado, sinto e percebo o quanto muitos homens se mantém em uma alienação protegida pela tirania e pelo conforto do patriarcado. Ambos estados imaturos, que tendem ao sofrimento e à frequência da escassez. Você está pronta para fazer este rompimento? De transformar este paradigma?


A fraternidade entre gêneros é urgente para a mudança consciencial que a Nova Terra necessita, é urgente para o ancoramento da humanidade que chega com a missão da regeneração de nosso planeta e não irá tolerar a divisão, o preconceito, a violência e a manipulação. 


Identificar suas potências femininas e masculinas, colocar luz nas obscuridades que cada polaridade carrega e integrar a percepção de si mesma como um Ser que já vivenciou inúmeras experiências, possui múltiplos saberes e formas de apresentar-se, é a combinação perfeita para te levar a um plano de consciência mais elevado. Um estado de ser e viver que você não separa pelas diferenças, que compassivamente congrega para a evolução coletiva: de mulheres, homens, animais, vegetais, minerais e elementais.


Você é uma Deusa Alquimista, talvez tenha se esquecido por ter  negligenciado consigo mesma ou ser conivente com uma realidade sedutora, porém ilusória. Agora é o momento de lembrar quem você é, acessar sua alquimia interna e potencializá-la à serviço do belo, do bem e da paz.


Mulher, faça suas magias, ritualize com sua longa saia ou com seu corpo nu, empodere-se de seus conhecimentos, cante, dance, reze. Comungue com a terra, com o fogo, com a água e o ar.



Acolha o seu sentir, você já pode desenvolver seus ?olhos de ver? e ?ouvidos de ouvir?. Não tema a loucura, ela não existe, pois agora você está reencontrando consigo, sabe quem és, e a energia da Nova Terra aceita e deseja vibrar em tudo aquilo que seu Ser gritou, uivou, transpirou, gozou e foi impelido a silenciar na noite escura da história.


Vamos mulheres sábias, levantem-se! Muito deve ser feito, somos a geração de sacerdotizas que a Terra aguarda por séculos. Somos àquelas que irão ancorar a nova humanidade. Somos Deusas Alquimistas!


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